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A tentar acompanhar tantos erros políticos...

Domingo, 05.11.17

 

 

É tão difícil acompanhar tantos erros políticos no país e na Europa, que nem dá para acompanhar o que se está a passar na América. Parece que as coisas também estão a fervilhar de erros por lá. Já para não falar nos riscos que todos corremos, entregues à loucura das lideranças mundiais...

 

É também com o coração nas mãos que olho para a nossa vizinha Espanha. Aí os erros políticos acumulam-se diariamente. Depois da violência policial da Guardia Civil sobre manifestantes em Barcelona, a prisão de membros do governo catalão.

E ainda pretendem levar por diante as eleições na região. A campanha eleitoral já deve ter começado, porque vi e ouvi um discurso muito estranho de Albert Rivera na TVE sobre "liberdade", imagine-se! O jovem político não percebe nada de democracia nem de psicologia social. Falar de liberdade com membros do governo presos? Iniciar uma campanha política para eleições sem as mínimas condições democráticas para o efeito? Não esperava esta alienação cultural num jovem político.

Os catalães têm de preencher este vazio na sua representação política, com políticos que não tenham equívocos ideológicos na cabeça nem sejam formatados pela lógica do poder. A lógica do poder não tem a mais elementar empatia e solidariedade humana, neste caso com os presos e com a sua comunidade ansiosa e dividida. Políticos que em vez de virem provocar esta comunidade em stress e insegurança, consigam ajudá-la a lidar com as divergências internas, trocar ideias, escolher objectivos e definir prioridades. 

 

Os catalães merecem melhores lideranças políticas. E para isso precisam de tempo e de um ambiente favorável, restaurando a democracia e a autonomia. Não vejo outro caminho.

Madrid restaurava a sua imagem internacional, mas também doméstica. Arrepiar caminho só pode ser feito pelo que detém o poder. Não perdia nada, antes pelo contrário, evitava uma instabilidade social que se reflecte na economia, e este é o argumento a que o poder é mais sensível, o financeiro.

E não esquecer a monarquia, que em vez de unir, dividiu mais profundamente, aliando-se à lógica do poder do governo de Rajoy. Até quando pensa a monarquia conseguir manter-se se não servir a unidade de Espanha? Unidade que tem de garantir respeito pelas diversas comunidades e incluir todos os cidadãos.

 

Entretanto a UE aliou-se à lógica justiceira espanhola, sancionando a prisão de membros de um governo eleito democraticamente numa região autónoma. A UE que nos vem interpelar nas redes sociais que é democrática, que quer ouvir os cidadãos europeus, etc. e tal.

Ficamos todos a saber que a UE não é regenerável por dentro, que as suas instituições são obsoletas e opacas, que não servem a democracia ou a justiça.

Justiça é a possibilidade de resolver conflitos sociais, não é agravá-los.

Justiça é a possibilidade civilizada de manter o equilíbrio social, não é desequilibrá-lo.

E a democracia é a forma de organização social o mais equilibrada possível.

 

Esta loucura visível em muitas lideranças políticas tem de fazer "pause" antes de fazer mais estragos, dar tempo e espaço para reflectir, para restaurar o equilíbrio perdido.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:19

Alguns equívocos sobre o amor :)

Terça-feira, 04.04.17

 

 

 

Uma das frases mais repetidas, quando se fala de relacionamentos amorosos, é aquela de ser melhor amar do que ser amado, e de como é importante a nossa capacidade de amar. No mundo real isto não funciona assim. :) Todos desejamos ser amados na mesma dimensão do nosso amor. Secretamente, procuramos a mesma natureza do amor que um dia conhecemos: o amor incondicional, aquele que nos acolheu, mimou, protegeu.

Outra frase repetida é a de precisarmos de nos amar a nós próprios para conseguir amar alguém. O amor é relação, não confundir com estarmos bem connosco. Por melhor que estejamos na nossa própria companhia :) isso não substitui a relação com alguém.

Aliás, esta frase é parecida, no seu efeito, com aquela de primeiro precisarmos de aprender a estar sós, connosco próprios, e que aqui nos é apresentado como autonomia. Por isso é que alguns se habituam de tal forma a estar consigo próprios que já nem se atrevem a comprometer os seus hábitos e rotinas. :)

Ultimamente ouço muito que as pessoas não investem nos relacionamentos para manterem a sua liberdade. Não percebo, sempre associei amor a liberdade. Liberdade = sair do conforto do refúgio, superar o receio da rejeição, aprender a linguagem versátil da comunicação.

 

Quando penso em relacionamentos amorosos que respiram esta harmonia e esta liberdade, estar vulnerável e comunicar, visualizo John Lennon e Yoko Ono. E agrada-me pensar que, apesar do azar de morrer tão cedo no seu percurso criativo e rebelde, John Lennon conheceu a plenitude do amor.

Nesta composição muito simples, como são as suas composições a partir de certa altura, John Lennon diz-nos o essencial: Love is real ... love is feeling ... love is wanting to be loved. Love is touch ... love is reaching, reaching love, love is asking to be loved. Love is you, you and me, love is knowing we can be. Love is free ... love is living, living love, love is needing to be loved.

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 18:27

A verdadeira ironia

Quarta-feira, 14.01.15

 

Do Novo Dicionário Compacto da Língua Portuguesa, António Morais Silva, Editorial Confluência, 6ª edição: Ironia = Forma de interrogação outrora empregada por Sócrates em relação aos sofistas e que consistia em levá-los a contradições sucessivas para os convencer dos seus erros. // Sarcasmo em que se diz o contrário do que se que dizer e em que só pelo tom se reconhece a insinceridade das palavras. // Aquilo que apresenta contraste frisante com o que logicamente devia ser.


A verdadeira ironia desta tragédia recente em França é que os auto-intitulados "libertários", isto é, os que defendem a "liberdade acima de tudo", estão a contribuir activamente, e sem disso terem sequer consciência, para a limitação da liberdade na Europa.

E comparar a sátira agressiva (já vou explicar porque a considero assim) com o jornalismo de investigação ou com a reportagem de guerra que tornam visíveis as mortes anónimas diárias, não é compreensível.


Causar a morte de outro é o mesmo crime, não é isso que está aqui em causa.

O que está aqui em causa é a violência, a sua necessidade, a construção social de "inimigos", a alucinação de "inimigos", seja em nome da laicidade "libertária", seja em nome do fundamentalismo religioso, seja em nome do pragmatismo financeiro.


A violência e o ódio ateiam-se de várias formas, com palavras, com imagens, com armas.

Reparem que não encontramos a palavra "inimigo" apenas nos discursos inflamados dos fundamentalistas. A palavra "inimigo" surge com preocupante frequência nos discursos de políticos ocidentais, da esquerda à direita.


Tudo o que dizemos ou calamos, tudo o que fazemos ou deixamos de fazer, tem consequências. Primeiro estamos sensíveis à nossa própria experiência, seja agradável ou desagradável. A pouco e pouco aprendemos a ver e a sentir as experiências dos outros e a sentir o que os outros estão a sentir porque já o sentimos. É  a partir desta experiência que surge a consciência. E é a partir desta experiência que surge a responsabilidade.


A verdadeira ironia, a meu ver, é esta contradição humana: em nome do que se acredita (ou se diz acreditar) provocar exactamente o contrário.

Os defensores da "liberdade acima de tudo" estão a contribuir para um caminho securitário e limitador da liberdade (veja-se o que aconteceu depois do 11 de Setembro).

E os defensores da "vida", da "segurança", da "tranquilidade", da "tolerância", estão a contribuir para o aumento das divisões, fracturas e violência.

Como? Deixando-se embalar por palavras, imagens e ideologias que trazem em si mesmas a violência, a fractura, o ódio, a humilhação de outros.

Defender a vida e a liberdade é ter consciência das consequências das nossas palavras, atitudes, comportamento. Defender a vida e a liberdade é defender a paz e rejeitar todo o tipo de violência


A verdadeira ironia está de olhos abertos a olhar para dentro de nós e para o mundo. Pode ser directa e cruel, mas nunca apela à violência, nunca humilha. Pelo contrário, confere-nos o poder de nos sentirmos vivos, conscientes e unidos.

A verdadeira ironia traz em si mesma a capacidade de aceitarmos a nossa fragilidade e as nossas contradições. A verdadeira ironia une-nos a todos na nossa humanidade.

 

 

Também senti a crueldade da ironia neste início de ano: afinal comecei a falar da possibilidade da Europa se abrir e conseguir receber refugiados e emigrantes, e dias depois o futuro da Europa vai pender para o caminho inverso.

 

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:23

Resultados da aplicação da austeridade na economia, no trabalho, na emigração, nos serviços sociais, na democracia: o caso da Hungria

Domingo, 12.05.13

 

De vez em quando assisto ao programa Sociedade das Nações da Sic Notícias, e desta vez acompanhei com interesse a entrevista a Viktor Orbán, 1º ministro da Hungria. Primeiro fica a imagem de alguém que gosta de liderar e controlar, alguém que discursa com entusiasmo, desvalorizando a oposição interna, sobre a forma como se adaptaram às exigências do FMI, uma nova Constituição (aqui senti um arrepio), um imposto único de 16 % igual para todos (?) para não penalizar o trabalho, preferindo subir o IVA (!), taxaram a banca (ver para crer), as multinacionais (ver para crer), reduziram os deputados para metade, os políticos no activo para metade, etc.

Ao ouvi-lo ficou-me a ideia de uma sacudidela demasiado drástica para animar a economia. Alguma coisa me soou a marketing político e não a liderança democrática, embora o entrevistado se tenha mantido num discurso racional, sensato, moderado. No entanto, há frases que nos ficam a ressoar de forma incómoda: a Europa tem tido lideranças institucionais que não têm capacidade de resposta, agora precisa de lideranças pessoais, de líderes; as fronteiras não devem ser o mais importante, já perdemos parte do território depois da 1ª Grande Guerra e mais território depois da 2ª guerra mundial; os nossos valores baseiam-se no cristianismo (é muito vago).

 

Não inteiramente convencida com tanta competência auto-proclamada, fui procurar outras fontes de informação. Passei pela BBC Hard Talk mas só encontrei uma entrevista a um especialista de marketing político do governo, o ministro da Comunicação(!) que se defendeu muito bem. Em todo o caso, reparem como o ministro acaba por utilizar palavras como oportunidade, reformas estruturais, medidas, com as quais já estamos demasiado familiarizados.

Resolvi procurar melhor no youtube informação concreta sobre a vida diária das pessoas:

 

 

Como se pode verificar, a estabilidade que uma maioria promete, pode levar a excessos na aplicação de programas como este da austeridade. Parece ter sido o que aconteceu aqui, a começar por construir uma nova Constituição (apenas em 9 meses e sem a participação de todos). Sempre que os governos nos falarem na Constituição, já sabemos o que se segue. Por cá esse discurso da necessidade de modernizar a Constituição e adaptá-la a uma nova conjuntura tem sido contrariada. Reparem nos riscos destes atropelos à Constituição de um estado. É por onde tudo começa no caminho da anulação da democracia e da utilização dos mecanismos democráticos.

Reparem como o estado social, os serviços prestados aos cidadãos, foram quase liquidados. São as pessoas que sofrem. A economia não está a crescer, mesmo com o imposto único, aumentando a divergência entre pobres e ricos (ou melhor dito, remediados, que preferem poupar a consumir).

E reparem como a banca não perde, antes ganha com estes planos de austeridade, pelo menos por enquanto.

Quanto aos media, por cá ainda não temos esse problema, cá as pessoas são inundadas com ficção informativa e opiniões de comentadores e futebol e telenovelas em doses apropriadas em todos os canais de televisão.

 

Porque me interessei tanto por analisar a situação da Hungria?

Primeiro, pela semelhança da sua gestão política mais recente com a nossa: governos socialistas levaram 2/3 dos cidadãos do país a votar numa proposta de centro-direita que os ajudasse a sair da falência. O programa seguido por este novo governo que, tal como o nosso, quis ir para além do FMI, acabou por se revelar desastroso para o seu povo.

Segundo, porque admiro muito o povo húngaro, a sua coragem e amor pela liberdade. Já aqui lembrei a resistência à invasão soviética no documentário Fúria da Liberdade. Um povo assim, que tem a liberdade no seu ADN, é um povo que não se deixará intimidar ou controlar, apesar das condições difíceis que lhe estejam a impor.

 

 

Já iniciei esta viagem virtual pelos países europeus em apuros, com a Grécia, na Farmácia Central e nas Vozes Dissonantes. A seguir, talvez vá até ao Chipre, à Eslovénia, à Irlanda e depois aqui ao lado, à Espanha.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:10

Volto a esse rio neste Natal...

Sábado, 15.12.12

 

A minha aventura blogosférica iniciou-se a navegar num rio sem regresso. O cinema como metáfora da vida. Porque o importante é a vida, o importante são as pessoas.

 

Nesta época do Natal, que sempre senti como a época dos afectos, vou dedicar-me nesse rio aos valores humanos fundamentais. Os valores humanos combinam muito bem com o Natal, a época em que nos reencontramos com a nossa própria infância, mesmo que através dos filhos, sobrinhos, netos.

 

Comecei com a liberdade, aqui ligada à justiça e à verdade mas, de certo modo, todos os valores humanos têm origem numa mesma base: o amor, a fraternidade, a empatia. Vermos no outro um outro eu, colocarmo-nos no seu lugar, vermos a sua perspectiva, sentirmos a sua aflição como nossa. 

É verdade que nem todos têm esta capacidade. É próprio dos psicopatas, por exemplo, não sentirem culpabilidade pelo mal que infligem a outros. É a linguagem do poder.

 

Aqui vai hoje este filme, Mr. Smith Goes to Washington, que coloquei pela segunda vez a navegar neste rio.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 23:12

Os meus anos 70 - Música

Quarta-feira, 07.09.11

 

Resolvi, porque essa é a minha natureza, manter o sol dos anos 70 na minha vida. Ir buscar sempre à fonte, a essa água transparente que ainda corre nalguma encosta esquecida. Como solta e alegre eu corria nesse tempo dos verões intermináveis. 

Esses foram os meus anos felizes, porque ainda não tinha visto o lado B que habitava fora desse lugar e dos meus sonhos secretos. Todas as manhãs e tardes que passei a ler, essa música ensolarada acompanhou-me, a marcar os dias.

Aqui irei colocar, uma a uma, as músicas dos meus anos 70, desses verões intermináveis, desses sonhos secretos.


Começo pelos America - A Horse With No Name.

 

Ainda é a mesma sensação de total liberdade, sol e nada mais, o eterno verão. Dá para ouvir a mordiscar maçãs, esqueci-me desse pormenor.

 

 

 

Um mês e meio depois: E não é que entretanto descobri outras duas composições dos America que me acompanharam muitos dias de verão? É o que faz espreitar o Youtube, reencontramo-nos com essa vitalidade juvenil. Aqui vão, caros Viajantes: Lonely People e Tin Man.

Não resisto a colocar aqui também este Sister Golden Hair. E já agora este You Can Do Magic.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 00:42

O valor do trabalho

Quinta-feira, 09.06.11

 

Sempre tive alguma dficuldade em perceber este quase desprezo nacional pelo trabalho, a desvalorização de quem cumpre compromissos e horários, colocando num pedestal quem se promove de forma meteórica, quem procura o estatuto e as luzes da ribalta. Até muito recentemente, a palavra-chave era "emprego" e não "trabalho".

"Emprego" é precisamente o estatuto, os direitos, as garantias. "Trabalho" é acção, resultado, competência.

Não admira que esta cultura do "emprego", que não sei de onde surgiu mas que se instalou sobretudo após a "revolution", seja a mesma que considera natural fazer greve numa empresa pública falida, num país falido, onde mais de 14% dos seus conterrâneos estão fora desse privilégio: trabalhar para adquirir a sua autonomia, para se sentir socialmente activos e úteis. Outro estranho sintoma é a insistência em valorizar feriados e fins-de-semana e pontes e férias, e achar natural o mau-humor das segundas-feiras, como adolescentes mimados. E isto num país que deve mais do que produz.

Só o trabalho dá autonomia verdadeira. Por isso, o seu valor vai muito além do que lhe é atribuído. A liberdade adquire-se quando se pode rejeitar as situações indignas de servilismo e contestar as injustiças sociais. Resumindo, ser um cidadão livre, exercer a sua cidadania.

A liberdade também é um valor que tem sido desvalorizado em detrimento da dependência e do conformismo. Isto está a mudar, o que só nos deveria alegrar. Um país de cidadãos autónomos é muito mais saudável e resistente às situações adversas. 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:07

Amor e gratidão - 2

Terça-feira, 03.05.11

 

Estes sentimentos são essenciais para lidar com a vida e o mundo. Quem não os alimenta e acarinha é facilmente engolido pela voracidade de uma época superficial e artificial. Sim, vivemos numa época de imaturos emocionais que querem o céu com métodos infernais, que não sabem esperar, inquietos, indecisos e confusos. 


O amor adulto nada exige e nada impõe, não é calculista, manipulador, possessivo, porque isso é a negação do próprio amor. 

O amor é o melhor antídoto para a solidão, a sensação de não-pertença, de rejeição. E é a melhor receita para a saúde e bem-estar.

Mais, o amor adulto é a melhor via para a realização pessoal de cada um, pois promove precisamente a liberdade de se ser quem se pode realmente ser, para lá de todas as nossas limitações ("amor intencional" de Jacob Needleman, em "O Pequeno Livro do Amor" - Bizâncio).

Quando se fala de amor fala-se de liberdade, é a fórmula natural. Leiam ou releiam "1984" de George Orwell e verão que está lá tudo. 

 

Numa fase tão difícil como a que estamos a viver colectivamente, que nos toca de perto, o amor tem um papel fundamental na coesão de grupo e de comunidade. E é a melhor base para a construção a partir dos destroços. Amor baseado no respeito por nós próprios em primeiro lugar. Amor baseado no respeito pela vida. Amor baseado no respeito pelos que nos rodeiam.

A gratidão entra logo no início, na primeira respiração, no primeiro grito. No início de uma nova vida. A partir daí, gratidão como forma de vida: pelo que nos sabe bem e pelo que nos sabe mal, pelas sensações agradáveis mas também pelas sensações desagradáveis. Aceitar tudo filosoficamente. Tudo faz parte de um percurso, de um caminho. E aprender com as diversas experiências e interacções. Aprender sempre. Com infinita gratidão.

 

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:55

A cultura democrática

Quinta-feira, 20.05.10

 

Foi ao lembrar uma das minhas lines preferidas de filmes, Na minha vida não há lugar para a mentira (Michelle Pfeiffer), n' A Casa da Rússia, que me surgiu esta ideia: o papel da verdade na cultura democrática. No filme, diversas personagens vêem-se envolvidas na lógica das corporações, da política, da espionagem. É-lhes subtraída a possibilidade de respirar à vontade e de simplesmente viver as suas vidas de forma tranquila. É-lhes por pouco subtraído o direito de viver, como aconteceu ao cientista amigo da nossa heroína. Sean Connery dirá que foi a sua escolha mais fácil, optar por salvar a vida da amada e da família, agiu segundo a sua bússula interior e saltou fora da lógica corporativa que não lhes dizia respeito.

 

Estamos numa fase em que ainda é possível saltar fora da lógica corporativa e escolher a cultura democrática. Mas tal não se verificará por muito tempo, porque o sistema tem formas de se defender e de se perpetuar. As vidas simples das pessoas comuns são-lhe indiferentes. Por isso não lhes dizem a verdade. Mas quem opta por lhes dizer a verdade, ganha confiança e credibilidade, assim como ganham as pessoas comuns. A cultura democrática é a civilização do amor de que fala o Papa Bento XVI. A cultura corporativa é uma nova barbárie, sem alma nem coração, sem vida lá dentro, só destruição, é a lei do mais forte contra o mais fraco.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 14:02

As Petições como última arma da cidadania?

Sexta-feira, 30.04.10

 

Um dos políticos que mais recorreu às Petições deve ter sido Wilberforce na causa da abolição da escravatura. Gostei muito deste filme magnífico, Amazing Grace. Wilberforce é, aliás, uma personagem fascinante, inspiradora. Não apenas pelas causas que defendeu, mas também pela sua natureza, o seu amor pela botânica, a sua motivação pelo colectivo, a sua aversão a revoluções, a guerras e à violência em geral. Hesitou antes de se dedicar à política, teria preferido a meditação da vida eclesiástica. Alguém lhe disse que podia conciliar Deus e a política, a possibilidade de agir sobre a realidade. A saúde ressentiu-se, pois qual é o homem que não sente a dor universal? No seu caso, foi o estômago: era difícil digerir uma realidade tão amarga como o sofrimento e a morte de tantos escravos, para manter um negócio muitíssimo rentável para o país.

 

Hoje, no início do séc. XXI, parece que as Petições se estão a tornar na última arma da cidadania. A velha Europa já parece avessa a referendos, tem medo deles não vá o Diabo tecê-las.

E neste cantinho que já foi mais ajardinado?

Se queremos defender a liberdade de expressão, Petição. Se queremos proteger o património cultural e histórico, Petição. Se queremos evitar a descaracterização do território colectivo, Petição. Se queremos travar a apropriação do espaço público, Petição.

Já não chega votar num partido e partir do princípio que a democracia funcione, que o equilíbrio social funcione, que a coesão social seja protegida, que a nossa soberania seja defendida, que o nosso futuro não seja comprometido, que não nos preparem uma nova escravatura, etc. e tal. Nada disto é prioridade dos políticos actualmente no poder, nem mesmo do Presidente.

Restam-nos as Petições.

 

É certo que, já no tempo de Wilberforce, as Petições não se revelaram suficientes. Para conseguir a abolição da escravatura andaram mais de uma década a recolher informação e assinaturas. Finalmente, tiveram de recorrer ao seu engenho e arte. Tiveram de ser criativos e aproveitar uma falha no sistema, descoberta por um advogado (who else?) para conseguir passar a lei. Julgo que também nós teremos de ser cada vez mais engenhosos e criativos para nos defendermos do Estado e da sua máquina infernal. E é se queremos realmente manter a liberdade de escolher um futuro possível. É que eles já nos estão a preparar um futuro, mas não é futuro digno de seres livres, é um futuro de escravos (da dívida, em primeiro lugar, dos lóbis actuais, em segundo, da "nova elite", em terceiro). É isso que realmente queremos?

 

Já não há políticos como Wilberforce. E se os há, não são os escolhidos pelo sistema. O sistema defende-se. Logo que surge um Wilberforce, tentam anulá-lo, neutralizá-lo.

Teremos de ser mais inteligentes e criativos. Refiro-me à chamada sociedade civil. E não nos podemos ficar pelas Petições. Teremos de recorrer ao nosso engenho e arte.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:04








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